Eu gosto de admirar
cada pelo dourado de raio de sol
cada partícula do seu olho colorido
o formato do seu corpo
suas mãos pequenas
sua pele branca
o rosado de suas bochechas
gosto de admirar
Eu gosto de capturar com meu olhar
o brinco que se segura em sua orelha
sua voz adocicada
a simplicidade que da às coisas
e o modo como me agarra de madrugada
como uma criança que abraça o pai
como um amante que confia no amado
eu gosto de admirar
o gosto de te admirar
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Eterno
num momento
eu te debulho na parede
no outro
sou um garotinho
cheio de receios e dúvidas
e então eu gozo em você
e você me acolhe
e deita a cabeça sobre o meu peito
e a gente ronca
No momento a devir
a gente casa
e você chora inseguro
e eu te envolvo
depois a gente ri
Eu entro em crise
você apazigua
e a gente briga
então dorme
acorda
toma banho
E no momento seguinte
a gente termina
e recomeça
e infinita.
Num dia tudo passa
no outro
eterno retorno.
Num dia eu sou feliz
no outro estou morto
eu te debulho na parede
no outro
sou um garotinho
cheio de receios e dúvidas
e então eu gozo em você
e você me acolhe
e deita a cabeça sobre o meu peito
e a gente ronca
No momento a devir
a gente casa
e você chora inseguro
e eu te envolvo
depois a gente ri
Eu entro em crise
você apazigua
e a gente briga
então dorme
acorda
toma banho
E no momento seguinte
a gente termina
e recomeça
e infinita.
Num dia tudo passa
no outro
eterno retorno.
Num dia eu sou feliz
no outro estou morto
segunda-feira, 26 de junho de 2017
quinta-feira, 27 de abril de 2017
a natureza grandiosa de complexa simplicidade
no princípio
acreditei que eu era uma serpente
e rastejava
achava que o chão era o meu lugar
todo o olhar voltado pra fora
me dizia isso
pelas escolhas que eu fazia
pelos pensamentos que eu tinha
pela minha natureza
em diferenciação
eu era uma serpente
me convenci disso
mas as coisas foram mudando
a serpente foi trocando de pele
e entrando no casulo...
entrando no casulo?
que serpente é essa que entra no casulo?
sou então uma borboleta?
havia algo errado
com essa ideia que faziam e que eu fazia de mim
alguma peça não estava encaixando
por mais que eu tentava
então tudo desmoronou
como um parto
quando saiu do casulo
a serpente
que não era serpente
nem borboleta
transfigurou violentamente sua natureza
e o que rasgou a pele velha
atravessou os céus num rajado flamejante
gigante e encantado
senhor de si e de seu poder
ainda não consigo nomear-me
mas sei que não rastejo
e tampouco sou fácil de categorizar
poucos me percebem
e os que o fazem também possuem uma natureza grandiosa
de complexa simplicidade
sou como o dragão chinês
senhor da sabedoria e da boa sorte
fértil, guerreiro
capaz de nadar nas profundezas
e de ascender a alturas eternas
um ser em contínua transformação
e em constante lapidação
e de uma coisa me assenhoro
não sou nada do que julgam que sou
e nunca saberão
pois pouco sabem eles mesmos do que são feitos.
acreditei que eu era uma serpente
e rastejava
achava que o chão era o meu lugar
todo o olhar voltado pra fora
me dizia isso
pelas escolhas que eu fazia
pelos pensamentos que eu tinha
pela minha natureza
em diferenciação
eu era uma serpente
me convenci disso
mas as coisas foram mudando
a serpente foi trocando de pele
e entrando no casulo...
entrando no casulo?
que serpente é essa que entra no casulo?
sou então uma borboleta?
havia algo errado
com essa ideia que faziam e que eu fazia de mim
alguma peça não estava encaixando
por mais que eu tentava
então tudo desmoronou
como um parto
quando saiu do casulo
a serpente
que não era serpente
nem borboleta
transfigurou violentamente sua natureza
e o que rasgou a pele velha
atravessou os céus num rajado flamejante
gigante e encantado
senhor de si e de seu poder
ainda não consigo nomear-me
mas sei que não rastejo
e tampouco sou fácil de categorizar
poucos me percebem
e os que o fazem também possuem uma natureza grandiosa
de complexa simplicidade
sou como o dragão chinês
senhor da sabedoria e da boa sorte
fértil, guerreiro
capaz de nadar nas profundezas
e de ascender a alturas eternas
um ser em contínua transformação
e em constante lapidação
e de uma coisa me assenhoro
não sou nada do que julgam que sou
e nunca saberão
pois pouco sabem eles mesmos do que são feitos.
domingo, 12 de março de 2017
escapismo
Sumiços diários de consciência in loco
que pensa que é?
não pensa, na verdade,
desaparece
e se volta
volta impressionado com a volta
E somente no dia seguinte
o que antecede novo sumiço
novo escape se faz
e
ao voltar
não é mais o mesmo
que passa, pequeno garoto?
o que é que ta ruim aqui?
o presente, o passado ou o futuro?
sumo de novo
que pensa que é?
não pensa, na verdade,
desaparece
e se volta
volta impressionado com a volta
E somente no dia seguinte
o que antecede novo sumiço
novo escape se faz
e
ao voltar
não é mais o mesmo
que passa, pequeno garoto?
o que é que ta ruim aqui?
o presente, o passado ou o futuro?
sumo de novo
esporro
jorro palavras como quem goza
um gozo sem fim
de tanta vida concentrada no peito e que
agora
na Lua Cheia
transborda
pede vazão
eu desenho a vida abstrata
que me toca
que me toma
que me jorra
pra dentro
e por fora
por mim
e pra mim
pra quem vir
vida indiferenciada
tantos anos segregada
pede união
note que pede
pede jorro
pede gozo
pede existência
um gozo sem fim
de tanta vida concentrada no peito e que
agora
na Lua Cheia
transborda
pede vazão
eu desenho a vida abstrata
que me toca
que me toma
que me jorra
pra dentro
e por fora
por mim
e pra mim
pra quem vir
vida indiferenciada
tantos anos segregada
pede união
note que pede
pede jorro
pede gozo
pede existência
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