quarta-feira, 25 de outubro de 2017

paralisaria

eu não sei
sempre que julgo
que sei
minha ignorância desaba sobre mim

Portanto, mal me conheço
menos ainda do que gosto

Não posso dissimular
meu desajuste
nem fingir que sou ajustado

Só a aceitação salva

de um potencial círculo mental que só me exaustaria e no correr da vida
me
paralisaria.

quem aí?

Crio com dores de parto que
pelo ombro desencontram
meios
ou seios
pra encontrarem seu fim

Minha palavra é
corporal
desprende, estende te entendo e ela
vai por aí
vai pra longe de mim

Desnudo tanto que eu
quase tenho vergonha
mas do que devo me envergonhar?

Quem aí precisa se aceitar?

Eu preciso e vou
honrar
a não ideal pérola
mais perfeita que qualquer outra
que eu
porventura
pudesse criar

Eu preciso e vou
honrar
a não ideal
pérola.

Me encontrar é minha sina.
Se perder é por onde se caminha.

e l a

A última vez que a vi
tinha olhos de partida
mãos de bagagem

Os cabelos arrumados
e uma mania de olhar pra trás
pra onde eu já não podia ver

Pra onde foi
o que faz agora
só posso imaginar

Julgo analisar
mas não posso
não consigo rastrear

Eu sou tantos em um
que mal consigo me encontrar
mas ela me unia

Ela me encontrará
se quiser um dia
ou se de mim precisar

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

o comum

Eu não gosto do comum
o comum me tira do sério
o comum me desafia
me arrebenta

Eu tenho sangue de louco
Eu queimo
Eu vibro
Eu entro em ebulição

É como se o comum
fosse o contrário da ação
Fosse a morte
a estagnação

Que busco eu então?
Que fogo?
é tudo
ilusão.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

admirar

Eu gosto de admirar
cada pelo dourado de raio de sol
cada partícula do seu olho colorido

o formato do seu corpo
suas mãos pequenas
sua pele branca
o rosado de suas bochechas

gosto de admirar

Eu gosto de capturar com meu olhar
o brinco que se segura em sua orelha
sua voz adocicada
a simplicidade que da às coisas
e o modo como me agarra de madrugada

como uma criança que abraça o pai
como um amante que confia no amado

eu gosto de admirar
o gosto de te admirar

Eterno

num momento
eu te debulho na parede
no outro
sou um garotinho
cheio de receios e dúvidas
e então eu gozo em você
e você me acolhe
e deita a cabeça sobre o meu peito
e a gente ronca
No momento a devir
a gente casa
e você chora inseguro
e eu te envolvo
depois a gente ri
Eu entro em crise
você apazigua
e a gente briga
então dorme
acorda
toma banho
E no momento seguinte
a gente termina
e recomeça
e infinita.
Num dia tudo passa
no outro
eterno retorno.
Num dia eu sou feliz
no outro estou morto
Mãe
desculpe
não consigo ser aquilo que você deseja

Graças a Deus!