quinta-feira, 23 de junho de 2016

instante

No fluxo de um beijo
o fluxo da vida

sem saber onde vai dar
quem vai interromper
como e por que começou

na infinitude de possibilidades
minha boca encontrou a sua

no fluxo da vida
no fluxo da saliva
a gente se misturou

por alguns segundos
me perdi de mim
você se perdeu também

e fomos aquele instante
quando acabou
passou

domingo, 19 de junho de 2016

endurecer

endurecer
quando os tempos são de mergulhos
endurecer
para que o outro amadureça
perca os apoios
e encontre sua fortaleza
você pode ajudar na polidez da pedra bruta
ou na exposição de seu verdadeiro rosto

segunda-feira, 6 de junho de 2016

que chova!

Palavras não alcançam a explosão
vida interior,
como novidade,
rasteja sob a pele

e abre

e da vazão
necessário
imprescindível
imutável
ciclo da vida
e a gente
nasceu
pra ser nós mesmos


segunda-feira, 30 de maio de 2016

em andamento

Tilapiando informações
faço jorrar canções
e expurgar
como quem espreme uma espinha gigante
todo temer que se alojou na coluna
os fora dilma dos pulmões
e os vai trabalhar, vagabundo que entopiam veias.
Que poeta sereno
num país perigoso
onde quem tenta
morre
quem protesta
apanha
quem rouba
faz?

um poeta doente
de poesia doente
que versa sobre a doença

o poeta esperançoso
que fala dos ciclos
do corpo
primeiro
do corpo
timoneiro
do mundo
do corpo
do poeta mundo

se regenera das chagas
que adquiriu

Eu tava la e vi
sair de dentro
o sangue estancado
em anos de repressão
vi sair na agulha
os fantasmas do medo
da insegurança
da liberdade estagnada
e agora é o corpo
um campo
onde a saúde e a doença
convulsionam

É o meu corpo
estranho pra mim
nasci aqui e quero fugir
me rebelo
vejo-o em domínios trevosos
cancerígenos
agentes
(políticos?)
sugam o que foi duramente conquistado
por anos

esse é o lugar onde cresci
e querem tirar de mim
de nós
esse corpo
esse mundo
que
como ninguém
precisa de tratamento

assim,
quem sabe,
eu possa me sentir país
me sentir corpo
me sentir alma
me sentir espírito
me sentir eu
me sentir você...

domingo, 29 de maio de 2016

fim de outono

vivemos tempos difíceis
algo acontece
levantou-se o véu
e
em que parte do caminho me perdi?
que lugar é este
onde estou?
quem me colocou aqui?
algo terrível está acontecendo
e é melhor não se afastar
da luz que brilha no peito
que é a luz do universo
mas que agora é tão pequenina
que é normal desanimar
entra o inverno neste hemisfério
e é tempo de se recolher

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O que eu busco ainda não inventaram palavra pra categorizar
nem sensação concreto-abstrata
pra enquadrar.

Que querem?

Toda poesia é necessária
todo artista
toda arte
toda forma de amor
de amar
toda tentativa de desembrutecer o ser humano
toda forma de visão libertadora
libertária
caminhos de renovação
Toda experiência transcendental

Que querem de nós?
que viremos máquinas
que fiquemos ignorantes
que sigamos a direção que aponta a caneta do engravatado
?
Querem a nossa submissão?
Pois,
saibam,
não é passivo o novo mundo
a consciência cresce
porque a liberdade interior é maior
e se um governo
que deveria ser PARA o povo
não acompanha essa evoluçã
então
ele
deve
cair,