Linda borboleta amarela que esvoaça os ventos arrastada a navegar, e de lá pra cá leva esperança a quem sabe significar.
Trafega ignorada, ostentando a força que fizera, e é vida que atravessa uma rua, como se não existisse, notada somente por lunáticos sensíveis que são comida de gente que perpetua a escrotidão do mundo que avança (?).
Linda borboleta amarela que passa agradecida pela terra que a sustentou, e depois a gerou, e então a voou com olhos que alcançam a brutalidade infantil que abate pássaros com pedras. Desvia instintivamente para onde o rio corre sujo e moribundo, fétido como os ideais de uma manifestação equivocada que a ensurdeceria de cretinice caso tivesse ouvidos para ouvir o que o mundo que se intitula real brada. Feliz dos tímpanos que não tem. Avança.
Linda borboleta amarela que nasceu no mundo bizarro, deveria servir para causar poesia nos olhares, amansar a carne da muita ansiedade que usa corpos humanos para se manifestar, deveria esta linda borboleta amarela ser o subterfúgio da concretude e a cura da loucura humana, deveria servir para colorir a cidade doente e devolver beleza ao planeta, mas, no momento, serve pra ser apanhada num esmagar de dedos inconsequentes, presos a um corpo que só anda em bando e abate qualquer coisa que insiste em ser fundamentalmente e em todos níveis melhor que ele.
Linda borboleta amarela, agora é um pedaço de coisa amassada no chão da cidade,
como um papel de bala abandonado,
como um vazio não superado.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
igual
Triste época do ano essa
maquinal
invernal verão
agonizantes horas com a família
a celebrar o encontro
de ponto em ponto
tomando cidra
comendo carne
disputando atenção
Vamos pedir
"que o ano seguinte
seja melhor
com esperança de um recomeço"
mas que não tem motivo
uma vez que se nasce e se morre a cada manhã
e que determinados momentos
nos servem de sepultura
e mesmo quando se ouve ao longe
o canto dos pássaros
se ressente o interior por não ter asas
e é o eco frustrado quem responde
o eco sem liberdade mas cheio de anseios
só que sem meios
contudo
com cores geladas
enfeitando a treva com luzinhas que piscam
pendurando enfeites na dor
pra se fazer de leve
e passar o natal
com a sensação de sobrevivência
Então,
quando desponta a manhã,
ignora-se a não apoteose
de um ébrio sol que nasce com cara de ontem
e que traz dias exteriores tão normais quanto qualquer outro
É assim no ano novo
é assim no aniversário
é assim
de nada especia falamos
posto que não se modifica sequer a quantidade de substâncias que ingerimos
em nome da festa
em nome da comemoração
em nome de nada
e,
se ao menos a casa tem o aspecto diferente,
é pra lembrar que tudo muda
menos a gente
O sol continua nascendo
e nada novo se manifesta sob ele
nós
enredados como fios de dezembro
buscamos brilhar pra não apagar
a chama que um dia nos iluminou
e que agora parece extinguir.
[Dezembro de 2015]
maquinal
invernal verão
agonizantes horas com a família
a celebrar o encontro
de ponto em ponto
tomando cidra
comendo carne
disputando atenção
Vamos pedir
"que o ano seguinte
seja melhor
com esperança de um recomeço"
mas que não tem motivo
uma vez que se nasce e se morre a cada manhã
e que determinados momentos
nos servem de sepultura
e mesmo quando se ouve ao longe
o canto dos pássaros
se ressente o interior por não ter asas
e é o eco frustrado quem responde
o eco sem liberdade mas cheio de anseios
só que sem meios
contudo
com cores geladas
enfeitando a treva com luzinhas que piscam
pendurando enfeites na dor
pra se fazer de leve
e passar o natal
com a sensação de sobrevivência
Então,
quando desponta a manhã,
ignora-se a não apoteose
de um ébrio sol que nasce com cara de ontem
e que traz dias exteriores tão normais quanto qualquer outro
É assim no ano novo
é assim no aniversário
é assim
de nada especia falamos
posto que não se modifica sequer a quantidade de substâncias que ingerimos
em nome da festa
em nome da comemoração
em nome de nada
e,
se ao menos a casa tem o aspecto diferente,
é pra lembrar que tudo muda
menos a gente
O sol continua nascendo
e nada novo se manifesta sob ele
nós
enredados como fios de dezembro
buscamos brilhar pra não apagar
a chama que um dia nos iluminou
e que agora parece extinguir.
[Dezembro de 2015]
domingo, 15 de novembro de 2015
um bando de viciados malucos
Um bando de viciados
malucos
um bando de viciados
somos
malucos
um bando
por qualquer coisa
maconha
um bando que volta
do pó ao pó
ao álcool
malucos por
cigarro
viciados
jogos
tevê
somos um bando de
novela
carne enlatada
transgênica
transgênero
viciados em
subverter
em comer
em beber
em foder
malucos
em bando
rezando
viciados em
espiritualidade
em pornografia
somos um bando
de junkies
por desgraça
por graça
por dinheiro
por admiração
viciados em arte
em violência
viciados em fazer
em pensar
em julgar
em matar
somos um bando de viciados malucos
que aponta o dedo pra outro
bando de viciados malucos
gangues de éssepê
malucos
um bando de viciados
somos
malucos
um bando
por qualquer coisa
maconha
um bando que volta
do pó ao pó
ao álcool
malucos por
cigarro
viciados
jogos
tevê
somos um bando de
novela
carne enlatada
transgênica
transgênero
viciados em
subverter
em comer
em beber
em foder
malucos
em bando
rezando
viciados em
espiritualidade
em pornografia
somos um bando
de junkies
por desgraça
por graça
por dinheiro
por admiração
viciados em arte
em violência
viciados em fazer
em pensar
em julgar
em matar
somos um bando de viciados malucos
que aponta o dedo pra outro
bando de viciados malucos
gangues de éssepê
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
FOGO
Criatura criadora
Voraz
Faminta
Selvagemente espiritual
com sede de vida
latente - pulsante
pulsadora
Irradiadora de força vital
Grita de prazer
coração quente
mente atenta
silencia
escuta
ouve
e age
conscientemente
semente bela
estridente
fogo abrasador
purificador
daquilo que movimenta a existência
e insiste em viver
e rir
e chorar
e intensamente existir
plena
visceral
corpos acesos
intrínsecos
sentidos
ligados
queimando
inspirando
morrendo
e renascendo
e voando
vertendo vida pelos poros
intrépida
magnífica
empoderadora
abrasando a terra
acalorando a roda
vivificando o ser.
Voraz
Faminta
Selvagemente espiritual
com sede de vida
latente - pulsante
pulsadora
Irradiadora de força vital
Grita de prazer
coração quente
mente atenta
silencia
escuta
ouve
e age
conscientemente
semente bela
estridente
fogo abrasador
purificador
daquilo que movimenta a existência
e insiste em viver
e rir
e chorar
e intensamente existir
plena
visceral
corpos acesos
intrínsecos
sentidos
ligados
queimando
inspirando
morrendo
e renascendo
e voando
vertendo vida pelos poros
intrépida
magnífica
empoderadora
abrasando a terra
acalorando a roda
vivificando o ser.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
PARA!
Muda
Muda de casa
muda de rua
muda de cidade
se tiver ruim
muda de roupa
de vocabulário
Muda de ideologia
de crença
de sexo
Muda de namorado
de marido
de amigo
Muda de cueca
de cabelo
de estilo
Muda de emprego
de divertimento
de vício
De hábito
de música
Muda de pele
muda de shampoo
de família
Muda se ta ruim
Muda se ta parado
Muda
muda e para de reclamar
muda pelo prazer de mudar
de transformar
muda pra renovar
até que se essa muda cresça
tenha frutos pra dar
e então
se precisar
novamente mudar
muda
e muda
e muda...
Muda de casa
muda de rua
muda de cidade
se tiver ruim
muda de roupa
de vocabulário
Muda de ideologia
de crença
de sexo
Muda de namorado
de marido
de amigo
Muda de cueca
de cabelo
de estilo
Muda de emprego
de divertimento
de vício
De hábito
de música
Muda de pele
muda de shampoo
de família
Muda se ta ruim
Muda se ta parado
Muda
muda e para de reclamar
muda pelo prazer de mudar
de transformar
muda pra renovar
até que se essa muda cresça
tenha frutos pra dar
e então
se precisar
novamente mudar
muda
e muda
e muda...
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Trânsito
Eu sou a dor
a pena
o sofrimento e a dificuldade
o isolamento
a rigidez
a falta d´'agua e a insolação
Eu sou a queda
o fracasso
a ordem e a desolação
Eu sou o pobre
o preso
o silêncio e a dissolução
Eu sou o escuro
a tristeza
a incerteza e a solidão
Eu sou análise
boicote, eu sou chicote
e indisposição
Eu sou a fleuma
a doença
o desespero e a inquietação
Sou ansiedade, tempestade
imobilidade, sou depressão
Sou finito, imortal
Sou trabalho e obstinação
Sou cigarro, sou bebida
esquecido e sem remissão
Eu não sou nada
nem ninguém
só poema sem realização
Sem mensagem
sem interesse
sem vontade ou determinação
Sou apático
caído
suicídio e perseguição
Sou perigo
sou divino
diabólico
em encarnação
a pena
o sofrimento e a dificuldade
o isolamento
a rigidez
a falta d´'agua e a insolação
Eu sou a queda
o fracasso
a ordem e a desolação
Eu sou o pobre
o preso
o silêncio e a dissolução
Eu sou o escuro
a tristeza
a incerteza e a solidão
Eu sou análise
boicote, eu sou chicote
e indisposição
Eu sou a fleuma
a doença
o desespero e a inquietação
Sou ansiedade, tempestade
imobilidade, sou depressão
Sou finito, imortal
Sou trabalho e obstinação
Sou cigarro, sou bebida
esquecido e sem remissão
Eu não sou nada
nem ninguém
só poema sem realização
Sem mensagem
sem interesse
sem vontade ou determinação
Sou apático
caído
suicídio e perseguição
Sou perigo
sou divino
diabólico
em encarnação
sábado, 8 de agosto de 2015
desabafo
Sou bobo da corte porque sou
livre
louco
insubmisso
não caio na tentação do poder
e nem perco a cabeça
na lâmina que cega
Sou a velharia mais nova que há
e me protejo de mim
apontando o eu no outro
e
pior
o outro em mim
patético
ridículo
bufônico
derrubo máscara
me desnudo
poético
em nome do mais importante que existe
que é NADA
mais importante que nós
E nós
somos um
Não trabalho em equipe
rio da equipe
esculacho a equipe toda
porque são um bando de civilizados
tentando não parecer primatas
(mas se coçando e caçando pulga )
Mas procedo das cavernas
e só não arrasto mulher pelos cabelos
porque gosto de homem
(e de um carinho de vez em quando)
Quero me tatuar a mim mesmo
pra nunca me esquecer de que o corpo morre
e que não sobra NADA
comida serei dos bichos que mais desprezo
[depois dos homens]
Não sou especial
sou escória
Não sei ser sério
tentei e GRAÇAS A DEUS não consegui
eu canto num templo que não chamo de meu
e sou torto de natureza
minha essência
sinto
minha essência se vaporizar
quando tento me corrigir
e aí descubro que o certo é o errado
e que ta errado ser certo
porque o certo não existe
e aí eu me dou uns tapas
pra voltar a ser burro
quando começo a ficar inteligente
- demente!
Viva a imperfeição magnífica
diz um desesperado bêbado
que ela é a cura que vem das estrelas
o que temos que fazer é engolir
e arrotar prazer!
Não há cima ou baixo
que bata o
meio!
É no meio que a gente se desenrola
é no meio que a gente se enrola
é no meio que a gente se mete
brinca dando volta na Lua
achando sabemos
Sabemos o que, meu deus?
NADA
Porra nenhuma
caguei pro saber
ele só sabe escravizar
humilhar
rebaixar,
alguém há de ser menosprezado,
e
como não sou nada
aponto meu dedão pra todo mundo
e enfio ele no meio do meu próprio cu
pra me lambuzar
de humanidade
e a pressão baixar
e tudo se explodir num grandessíssimo gozo
e então eu cair
dormir
e sonhar realidades
realidades subliminares
que nunca irão acreditar
só eu
só eu.
livre
louco
insubmisso
não caio na tentação do poder
e nem perco a cabeça
na lâmina que cega
Sou a velharia mais nova que há
e me protejo de mim
apontando o eu no outro
e
pior
o outro em mim
patético
ridículo
bufônico
derrubo máscara
me desnudo
poético
em nome do mais importante que existe
que é NADA
mais importante que nós
E nós
somos um
Não trabalho em equipe
rio da equipe
esculacho a equipe toda
porque são um bando de civilizados
tentando não parecer primatas
(mas se coçando e caçando pulga )
Mas procedo das cavernas
e só não arrasto mulher pelos cabelos
porque gosto de homem
(e de um carinho de vez em quando)Quero me tatuar a mim mesmo
pra nunca me esquecer de que o corpo morre
e que não sobra NADA
comida serei dos bichos que mais desprezo
[depois dos homens]
Não sou especial
sou escória
Não sei ser sério
tentei e GRAÇAS A DEUS não consegui
eu canto num templo que não chamo de meu
e sou torto de natureza
minha essência
sinto
minha essência se vaporizar
quando tento me corrigir
e aí descubro que o certo é o errado
e que ta errado ser certo
porque o certo não existe
e aí eu me dou uns tapas
pra voltar a ser burro
quando começo a ficar inteligente
- demente!
Viva a imperfeição magnífica
diz um desesperado bêbado
que ela é a cura que vem das estrelas
o que temos que fazer é engolir
e arrotar prazer!
Não há cima ou baixo
que bata o
meio!
É no meio que a gente se desenrola
é no meio que a gente se enrola
é no meio que a gente se mete
brinca dando volta na Lua
achando sabemos
Sabemos o que, meu deus?
NADA
Porra nenhuma
caguei pro saber
ele só sabe escravizar
humilhar
rebaixar,
alguém há de ser menosprezado,
e
como não sou nada
aponto meu dedão pra todo mundo
e enfio ele no meio do meu próprio cu
pra me lambuzar
de humanidade
e a pressão baixar
e tudo se explodir num grandessíssimo gozo
e então eu cair
dormir
e sonhar realidades
realidades subliminares
que nunca irão acreditar
só eu
só eu.
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