Olho pro passado
sinto dor
muita dor
Dor lancinante
Ferida exposta
Emergindo do mar
aquela dor profunda
dor dor dor
Dor curativa
ferida que me estraçalha
me enraivece
me embrutece
me derruba
dor
É dia de Netuno retrógrado
e a cidade está sem água
o tempo
seco
parede árida
sol amarelo
o mago se droga
e se vê no espelho
das palavras de agora
a caverna de sol em que se enfiara.
Destrincheirei minha poesia
de profundo arcabouço
próximo ao centro,
perto dos monstros
sonsos eles saíram
e dançam comigo
na mata do ritual
com o velho amigo.