O rancor que eu guardo
aquece meu coração
o amargor
é como café preto matutino
A gente sabe que não faz bem
mas o traga mesmo assim
... e com prazer
segunda-feira, 9 de julho de 2018
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Deixe o demônio trabalhar
Deixe
Deixe que seus demônios se manifestem
Deixe
Deixem eles tomarem o seu corpo
Como num bacanal divino
Dionisíaco
Sem se preocupar com a felicidade
Pois o que é a felicidade?
Pouco importa!
Não importa a tristeza também
Não importa
Não importa choro de ninguém
Não importa
Aquela questão com a mãe
aquela preocupação com o futuro do dinheiro
Não importa
com o futuro do dinheiro
Não importa
Deixe que os seus dragões engulam esses problemas
dilemas
e os vomitem no dia seguinte
que este fogo que se acendeu
vai se apagar
e quando voltar pro corpo
você perceberá
que nunca mais voltará
que o que os demônios trazem
os anjos lapidam!
Deixe o demônio trabalhar
Líquido
Eu te adquiro
numa liquidação
sem compromisso
com devolução
ao nada que você era
antes de mim
Eu vou te consumir
como manda a programação
indiretamente instituída pela televisão
e quando você
parar de corresponder
à minha íntima inspiração
e quando você
parar de corresponder
e me trazer frustração
eu te troco por outro
de novo
numa liquidação
numa liquidação
sem compromisso
com devolução
ao nada que você era
antes de mim
Eu vou te consumir
como manda a programação
indiretamente instituída pela televisão
e quando você
parar de corresponder
à minha íntima inspiração
e quando você
parar de corresponder
e me trazer frustração
eu te troco por outro
de novo
numa liquidação
ERA
Na semente era amor e desejo
nos primeiros passos
e entendimentos
nos primeiros clarões de pensamento
era cale-se
segure-se
entupa-se
ninguém está nem aí pra você
mas parece que está
Do lado de fora
era tudo normal
tão normal
tão igual
Eu descia escadas
achando que subia
Eu me repetia como quem sabia
e assim seguia
E lutava pela sobrevivência
pela eficiência
e ainda vivi com um parasita divino
um funcional inquilino
traficante de destino.
E ao me libertar
não me libertei
só achei
Não tinha espaço
era um útero aconchegante, mas seco
pequeno, apertado
e logo eu
e logo eu que tinha asas tão grandes
Fui pisado por essas patas
que estava na família errada
renegada
odiada
pastavam em paragens forasteiras
que
sem eira nem beira
implorava por clemência
por ajuda
por paciência
por mãe
ele só queria uma mãe
Eu sou fruto de uma carência
pois ela só queria uma família
Nela fui criado
para corresponder ao que só faz interferência
Mas tal parasita não é meu
não sou eu
e não pode ser integrado
de jeito nenhum
não pode ser integrado
Veio de um sistema errante
para o sistema errado
Não sou eu quem vai
resolvê-lo
não sou eu quem vai amá-lo.
nos primeiros passos
e entendimentos
nos primeiros clarões de pensamento
era cale-se
segure-se
entupa-se
ninguém está nem aí pra você
mas parece que está
Do lado de fora
era tudo normal
tão normal
tão igual
Eu descia escadas
achando que subia
Eu me repetia como quem sabia
e assim seguia
E lutava pela sobrevivência
pela eficiência
e ainda vivi com um parasita divino
um funcional inquilino
traficante de destino.
E ao me libertar
não me libertei
só achei
Não tinha espaço
era um útero aconchegante, mas seco
pequeno, apertado
e logo eu
e logo eu que tinha asas tão grandes
Fui pisado por essas patas
que estava na família errada
renegada
odiada
pastavam em paragens forasteiras
que
sem eira nem beira
implorava por clemência
por ajuda
por paciência
por mãe
ele só queria uma mãe
Eu sou fruto de uma carência
pois ela só queria uma família
Nela fui criado
para corresponder ao que só faz interferência
Mas tal parasita não é meu
não sou eu
e não pode ser integrado
de jeito nenhum
não pode ser integrado
Veio de um sistema errante
para o sistema errado
Não sou eu quem vai
resolvê-lo
não sou eu quem vai amá-lo.
sábado, 2 de junho de 2018
inimigo
Eu tenho um inimigo mortal
Ele sabe quem eu sou
Me conhece profundamente
e torce contra mim
Ele me sabota, sabe onde sou vulnerável
sabe dos medos, dos anseios, sabe de mim
Vive no poço
alimentando os demônios
Este inimigo sou eu
e eu só consigo vencê-lo ao me aniquilar
não sei se sabe que sei dele
não sei se sabe mais nada fora o mundo escuro
quarta-feira, 9 de maio de 2018
bichos
Tem bichos andando no meu corpo
Eu os vejo
Eu os sinto coçar na pele
Eu permiti que bichos entrassem
Para impedir que bichos viessem
E estou me sentindo bicho:
malquisto
pequeno
um fardo
um incômodo
Mas não sou o bicho
Eu sei
Eu não sou o bicho
Há bichos que me consomem
não sei por quê
não sei responder esta pergunta sem me ofender
Não estou no meu lugar
Eu não pertenço a esta casa
a este corpo
a este mundo
E isso me inebria de ódio
mas contra quem devo esbravejar?
Quem é o objeto do meu ódio?
A mulher que me punha de castigo no milho aos seis
O homem que me torturou desde os quatro?
Ou a mulher que me privou de tudo que não fosse ela?
Eu devo realmente culpar essas
pessoas?
Ou segurar tudo sozinho
como sempre?
Tem realmente muito vivendo em
mim...
da lama ao caos
Já chamaram minha vida de caótica
pelo menos
umas
três
vezes
Caótica
imprevisível... tentaram me fazer sentir culpa
Mas eles não entendem de caos
Não entendem nem de ordem
Tem a ideia de ordem como uma mesquinharia
Eu não estudo as estrelas
Eu sou uma.
Estudando sua luz eu encontro a minha pra iluminar outros
Mas tem gente que não pode ver uma luz
que vira mariposa
sem conhecer o que brilha dentro de si
Saiam de suas cavernas!
Ou
pelo menos
não gritem contra quem tem coragem de ser o
que é
“Não da à luz a uma estrela brilhante
Quem não carrega o caos dentro de si’’
Eu sou o caos
realmente
Mas aos vossos olhos
que não sabem olhar para além da letra que mata
o espírito que vivifica
Eu tenho orgulho de poder dizer que sou louco
Frente a esses sãos
desinteressantes e inflamados
contra o que foge a seu modo de ver o mundo
Chamaram minha vida de caótica
mas a vida desses eram pálidas
tristes
solitárias
e insuficientes
Prefiro ser caos
prefiro ser imprevisível
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