Confiar na própria sensibilidade
é ouro
que se tira após tenebrosas visitas
a infernos além-limites
segunda-feira, 26 de junho de 2017
quinta-feira, 27 de abril de 2017
a natureza grandiosa de complexa simplicidade
no princípio
acreditei que eu era uma serpente
e rastejava
achava que o chão era o meu lugar
todo o olhar voltado pra fora
me dizia isso
pelas escolhas que eu fazia
pelos pensamentos que eu tinha
pela minha natureza
em diferenciação
eu era uma serpente
me convenci disso
mas as coisas foram mudando
a serpente foi trocando de pele
e entrando no casulo...
entrando no casulo?
que serpente é essa que entra no casulo?
sou então uma borboleta?
havia algo errado
com essa ideia que faziam e que eu fazia de mim
alguma peça não estava encaixando
por mais que eu tentava
então tudo desmoronou
como um parto
quando saiu do casulo
a serpente
que não era serpente
nem borboleta
transfigurou violentamente sua natureza
e o que rasgou a pele velha
atravessou os céus num rajado flamejante
gigante e encantado
senhor de si e de seu poder
ainda não consigo nomear-me
mas sei que não rastejo
e tampouco sou fácil de categorizar
poucos me percebem
e os que o fazem também possuem uma natureza grandiosa
de complexa simplicidade
sou como o dragão chinês
senhor da sabedoria e da boa sorte
fértil, guerreiro
capaz de nadar nas profundezas
e de ascender a alturas eternas
um ser em contínua transformação
e em constante lapidação
e de uma coisa me assenhoro
não sou nada do que julgam que sou
e nunca saberão
pois pouco sabem eles mesmos do que são feitos.
acreditei que eu era uma serpente
e rastejava
achava que o chão era o meu lugar
todo o olhar voltado pra fora
me dizia isso
pelas escolhas que eu fazia
pelos pensamentos que eu tinha
pela minha natureza
em diferenciação
eu era uma serpente
me convenci disso
mas as coisas foram mudando
a serpente foi trocando de pele
e entrando no casulo...
entrando no casulo?
que serpente é essa que entra no casulo?
sou então uma borboleta?
havia algo errado
com essa ideia que faziam e que eu fazia de mim
alguma peça não estava encaixando
por mais que eu tentava
então tudo desmoronou
como um parto
quando saiu do casulo
a serpente
que não era serpente
nem borboleta
transfigurou violentamente sua natureza
e o que rasgou a pele velha
atravessou os céus num rajado flamejante
gigante e encantado
senhor de si e de seu poder
ainda não consigo nomear-me
mas sei que não rastejo
e tampouco sou fácil de categorizar
poucos me percebem
e os que o fazem também possuem uma natureza grandiosa
de complexa simplicidade
sou como o dragão chinês
senhor da sabedoria e da boa sorte
fértil, guerreiro
capaz de nadar nas profundezas
e de ascender a alturas eternas
um ser em contínua transformação
e em constante lapidação
e de uma coisa me assenhoro
não sou nada do que julgam que sou
e nunca saberão
pois pouco sabem eles mesmos do que são feitos.
domingo, 12 de março de 2017
escapismo
Sumiços diários de consciência in loco
que pensa que é?
não pensa, na verdade,
desaparece
e se volta
volta impressionado com a volta
E somente no dia seguinte
o que antecede novo sumiço
novo escape se faz
e
ao voltar
não é mais o mesmo
que passa, pequeno garoto?
o que é que ta ruim aqui?
o presente, o passado ou o futuro?
sumo de novo
que pensa que é?
não pensa, na verdade,
desaparece
e se volta
volta impressionado com a volta
E somente no dia seguinte
o que antecede novo sumiço
novo escape se faz
e
ao voltar
não é mais o mesmo
que passa, pequeno garoto?
o que é que ta ruim aqui?
o presente, o passado ou o futuro?
sumo de novo
esporro
jorro palavras como quem goza
um gozo sem fim
de tanta vida concentrada no peito e que
agora
na Lua Cheia
transborda
pede vazão
eu desenho a vida abstrata
que me toca
que me toma
que me jorra
pra dentro
e por fora
por mim
e pra mim
pra quem vir
vida indiferenciada
tantos anos segregada
pede união
note que pede
pede jorro
pede gozo
pede existência
um gozo sem fim
de tanta vida concentrada no peito e que
agora
na Lua Cheia
transborda
pede vazão
eu desenho a vida abstrata
que me toca
que me toma
que me jorra
pra dentro
e por fora
por mim
e pra mim
pra quem vir
vida indiferenciada
tantos anos segregada
pede união
note que pede
pede jorro
pede gozo
pede existência
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Alta
Resultante de alegria, Marília saltou por sobre as vitórias, todas régias e caminhou iluminada pelo sol, admirada com a grandeza da vida e do viver.
Pôde escutar o desmoronamento de longe, o sorriso cortou-lhe a face, os olhos brilhavam e o coração pulsou.
Aparvalhada, chegou em frente ao portão, olhou para os lados e um porteiro sorridente lhe disse:
- Boa sorte.
Olhando o horizonte, os portões se abriram pra ela, que seguiu rumo a um mundo onde nada mais do que vivera existira, pelo menos nela.
Pôde escutar o desmoronamento de longe, o sorriso cortou-lhe a face, os olhos brilhavam e o coração pulsou.
Aparvalhada, chegou em frente ao portão, olhou para os lados e um porteiro sorridente lhe disse:
- Boa sorte.
Olhando o horizonte, os portões se abriram pra ela, que seguiu rumo a um mundo onde nada mais do que vivera existira, pelo menos nela.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
águas
Eu fiz o que eu pude e mesmo assim eu a vi deixando a minha casa, a mala na mão direita, a mão que ela come, e um chapéu panamá na esquerda, sua mão mais fraca. Contemplei as lâmpadas que eu quebrara minutos antes e meus olhos foram daí para os olhos de minha mulher... ex mulher... ex esposa! Ela não gostava que a chamasse de minha mulher porque ela dizia não ser minha propriedade. Sempre apreciei isso, eu adorava seu modo de enxergar o mundo, apreciava a consciência que tinha sobre as coisas, amava quando brigava comigo por divergências políticas. Por que mesmo essa mulher estava indo embora da minha casa? Eu não sabia, eu não fazia ideia. Eu também não tinha forças para tentar mantê-la, talvez por isso abaixei a cabeça, ou melhor, ela caiu do meu pescoço e senti minhas mãos desmaiarem também. Fiquei ali parado, no meio da sala, despencado como uma marionete, sem escutar nem o barulho dos carros na rua, e olha que comentávamos sobre isso todos os dias, isso e as motos de quinta-feira, que rasgavam as ruas às onze com roncos ensurdecedores. Quando me dei conta, uma lágrima saltou de dentro de mim direto para o caco de lâmpada aos meus pés, partindo-a em duas. Só então notei que ela havia voltado, pela periferia dos olhos, os dela fixos em mim. Não me movi. Ela jogou a mala e o chapéu no sofá, atravessou a sala e falou como quem comenta um dia chuvoso:
- É bom saber que você tem coração.
E sumiu escadaria acima.
Então levantei a cabeça como um gato assustado, tão repentinamente que ouvi uma vértebra estalar.
Em seguida, ela fechou a porta do banheiro e regou a minha vida.
- É bom saber que você tem coração.
E sumiu escadaria acima.
Então levantei a cabeça como um gato assustado, tão repentinamente que ouvi uma vértebra estalar.
Em seguida, ela fechou a porta do banheiro e regou a minha vida.
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