Continuar a crescer
Sem nunca se envaidecer
Trabalhar sem cansar
Sem nunca se acomodar
Viver sob a guarda
Dos olhos da própria morada
Fazer o que tiver que fazer
Independente de você
O amor que cede ao outro
É só seu, espere pouco.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Evolução
Gosto de admirar os prédios do alto de outro prédio
Gosto das luzinhas acesas e das vidas ocultas
Representação terrestre das estrelas
Que brilham admiradas
Com tanta vida escondida...
A cidade é também um bem
Menos bem que a floresta
Que é morada da magia
Mas
Diferente
É morada dos seres que não sabem que são mágicos
É o mundo que ainda não explodiu para a existência real
Ainda é caos
Passa apressada pela primavera,
ignorando as flores que nascem
e as que caem no outono
No inverno
muda a imagem e as vitrines
E utiliza o verão para vender
Não é uma pena
Somente pela experiência do erro
Se faz o Verdadeiro conhecimento
Nada no Universo está fora de lugar
Tudo acredito, está fadado a desabrochar
E, onde há explosão
Há destruição
Foi assim que o mundo
começou.
Perturbação
Deus!
Por que parece que a tranqüilidade é um pecado?
Por que parece que estar em paz com o mundo está errado?
Essas sensações, as boas,
nas raras vezes que me acometem,
mal chegam e lá se vão
Como bichos acuados, errados.
Certo!
Então, se esqueço a punição pelo nada
E consigo finalmente viver a intenção
Algo me acontece e PUM
Me põe,
Na hora,
Em depressão
Novamente
Lá vou eu trabalhar minha mente
Pra tudo ficar bem, dizer para mim mesmo
Pacientemente
Que em tudo o que acontece,
cabe a mim dizer
“esquece”
Você sabe o que fazer.
“esquece”
Você sabe o que fazer.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Porão
Tem muita barata nos porões da minha casa
Muita sujeira onde não quero mexer
Lá é escuro
Medonho
Bichado
Faço fogueira de fora do lado
Tentando a todo custo manter a luz
e o calor
Mas as baratas
insistem em sair
Uma a uma voando
com uma vassoura velha vou
matando
Recusando
-me terminantemente a me aproximar
A fogueira
apaga
fósforo e álcool
barata
anda
morre
goteja um invisível assustante
o chão ainda está úmido
da chuva da tarde que caía en-quando eu sonhava
Tenho a sensação de que um espírito me espreita
esperando
alguma coisa
apenas me espreita
já tem meses que deixei
as drogas hoje me deu vontade
de um cigarro de palha
sanada
loja fechada
(graças...)
Fogueira apaga
fósforo e álcool
barata anda
morta
goteja um invisível
O cadáver de uma árvore enfeita o quintal
Contrasta com os ramos
verdes
era de uma planta colossal que ninguém plantou
O chão já está repleto de cadáveres
e nem quero pensar nas vivas
dentro do porão
Hoje eu não tomei banho
explode cabeça
solidão
duas baratas sobem a parede pra me fazer companhia
uma manca
a outra tem asas
perdendo o controle apanho
a vassoura, o pânico
arrasto a corrente das amarras
e
abato-as.
Fogueira apaga
Vencido pelo medo
recuo
Fecho a porta
Apago a luz
Tomo banho
cérebro quente
água fria
vou dormir
Tem muita barata nos porões da minha casa
Mas as da cabeça
essas são incontáveis
Muita sujeira onde não quero mexer
Lá é escuro
Medonho
Bichado
Faço fogueira de fora do lado
Tentando a todo custo manter a luz
e o calor
Mas as baratas
insistem em sair
Uma a uma voando
com uma vassoura velha vou
matando
Recusando
-me terminantemente a me aproximar
A fogueira
apaga
fósforo e álcool
barata
anda
morre
goteja um invisível assustante
o chão ainda está úmido
da chuva da tarde que caía en-quando eu sonhava
Tenho a sensação de que um espírito me espreita
esperando
alguma coisa
apenas me espreita
já tem meses que deixei
as drogas hoje me deu vontade
de um cigarro de palha
sanada
loja fechada
(graças...)
Fogueira apaga
fósforo e álcool
barata anda
morta
goteja um invisível
O cadáver de uma árvore enfeita o quintal
Contrasta com os ramos
verdes
era de uma planta colossal que ninguém plantou
O chão já está repleto de cadáveres
e nem quero pensar nas vivas
dentro do porão
Hoje eu não tomei banho
explode cabeça
solidão
duas baratas sobem a parede pra me fazer companhia
uma manca
a outra tem asas
perdendo o controle apanho
a vassoura, o pânico
arrasto a corrente das amarras
e
abato-as.
Fogueira apaga
Vencido pelo medo
recuo
Fecho a porta
Apago a luz
Tomo banho
cérebro quente
água fria
vou dormir
Tem muita barata nos porões da minha casa
Mas as da cabeça
essas são incontáveis
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Passou
Não me interesso por esse assunto...
Será que sou arrogante?
Minha garganta dói
Minha caneta corre
E eu não sei como responder
Entendio-me
Julgo-os
Desligo-me
Será que sou arrogante?
Antes tudo corria bem
Então me perguntei
Busquei
Encontrei
Voltei
E percebi que não sou mais o mesmo
Isto não faz o isso menos
interessante
Refleti
Senti
Tentei
Esse assunto não me interessa.
Será que sou arrogante?
Minha garganta dói
Minha caneta corre
E eu não sei como responder
Entendio-me
Julgo-os
Desligo-me
Será que sou arrogante?
Antes tudo corria bem
Então me perguntei
Busquei
Encontrei
Voltei
E percebi que não sou mais o mesmo
Isto não faz o isso menos
interessante
Refleti
Senti
Tentei
Esse assunto não me interessa.
Lua Formosa
Me faltam palavras pra falar da Lua
Tanta gente já falou
Tanta gente vai falar
E a Lua
Formosa a brilhar
Nem sei o que dizer
Nem sei o que contar
A Lua já foi cantada
escrita
louvada
estudada
E eu a divagar
Tanta beleza, meu Deus
Tanto esplendor
É a Lua o motivo
De eu crer no Senhor
É a Lua magnânima
A brilhar com fervor
Pairando sobre as cabeças
Exalando amor
Tanta gente já falou
Tanta gente vai falar
E a Lua
Formosa a brilhar
Nem sei o que dizer
Nem sei o que contar
A Lua já foi cantada
escrita
louvada
estudada
E eu a divagar
Tanta beleza, meu Deus
Tanto esplendor
É a Lua o motivo
De eu crer no Senhor
É a Lua magnânima
A brilhar com fervor
Pairando sobre as cabeças
Exalando amor
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Boicote
Um dia ele acordou outra pessoa. Olhou-se no espelho, não reconheceu aquela cara, que outrora fora espinhenta, olhando pra ele. Os cabelos, antes indigenamente lisos, estavam grossos e modelados pelo travesseiro. O nariz um pouco mais grosso, os lábios menos corados, os olhos mais densos e, o que mais apreciara, a pele que um dia pedira a Deus.
- Bom dia!
Alguém bateu do lado de fora de seu quarto, ele, confuso, respondeu maquinalmente.
E sua voz soara diferente. Engrossara pouca coisa.
-Vem tomar café!
Convidou a outra pessoa.
- Já vou...
A voz.
Embaraçado, começou a trocar de roupa e, sem querer, a cantarolar uma música que ele nunca esperara cantar. Julgando-se, vasculhou a mente atrás das músicas que era habituado a gostar e descobriu, ao tentar reproduzi-las com sua nova voz, que não tinham a menor graça.
Já vestido com as roupas que não cabiam mais em seu gosto, resolveu enfrentar a outra pessoa da casa, imaginando o que esta diria ao vê-lo desse jeito.
- Olá, o Antônio ligou e...
Assunto em cima de assunto ia sendo puxado, como se ela conhecesse sua nova forma de muito tempo. Não conseguindo mais perder-se em seus tentadores pensamentos, ele percebeu que se interessava muito por cada palavra que lhe ia sendo oferecida.
Respondia naturalmente aos estímulos que lhe eram lançados, como nunca pensara antes. O que dizia era desconhecido à sua boca, não eram mais produtos daquela torturante caixinha preta que teimava em conservar dentro do cérebro, donde tirava todas as falas que, de alguma maneira, lhe protegiam. Até lhe vinha à mente dizer tudo como dizia ontem, mas o ímpeto do costume era fraco ante o deleite de correr o risco de ser.
A outra pessoa surpreendera-se enfim. Ele, envaidecido, ia sendo acometido de certo prazer de ser admirado pela nova pessoa que estava sendo. Jazia tão fascinado por si mesmo que nem notou que comera e bebera tudo com gestos que não lhe pertenciam antes.
Apaixonado, ele passou o dia arraigado, analista ensimesmado, tentando a todo custo mostrar a todos o quanto estava mudado, quão diferenciado, tanto melhorado! Pobre de mim...
À noite, ao olhar-se no espelho, tremeu de medo ao ver a si mesmo espinhento, os cabelos novamente lisos, os lábios corados, o nariz adolescente, cantarolando na cabeça as mesmas velhas músicas que um dia gostara de enjoar.
- Droga! – exclamou sua antiga voz.
Já era a décima primeira vez esse mês.
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