domingo, 30 de março de 2014

Numa conta matemática nos abandonamos

Tem cara de fim
Tem gosto de fim

Rumo ao fim

É fim ou é começo?
é inominável
é inenarrável
é um coração dividido que 
só 
pode 
escolher 
um 
caminho
é isso.

Tem que ser.

Tem salamandras habitando o estômago
e muita razão no peito
e muito julgamento
é uma miscelânea sem jeito
com jeito que só pode ser dado
com a 
resolução
revolução
resolução
revolução
revolução que é solução
resolução que é revolução
e soluciona
e resoluciona
e soluciona
e resoluciona
e soluciona de novo
e resoluciona depois
então não ta solucionado     porra!
nem revolucionado!

Mas essa revolução acabou
Paz, eu peço...
Paz...
Bandeira branca, amor

A visualização de tanta
abstração
traz a resposta ao enunciado,
- uma conta matemática -
é assim que nos deixaremos
numa conta matemática


Se nos +
x, pois, nossas questões mal resolvidas
Pois não se / aquilo que não se pode x
E nós dois já fomos - demais
por aquilo que você insiste em se +
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                             0

quarta-feira, 26 de março de 2014

Issismo

O amor entrou pelo quarto e ele o matou a facadas. Em seguida assou a carne e comeu. Só depois se lembrou que era vegetariano. Maldito relacionamento. Levou o amor. Levou a alegria. Levou até o vegetarianismo
Assassino de vegetarianismos!
Quanto tempo levaria pra ele comer carne de novo? Pra ele comer carne. Pra ele comer...?
Indiferente, pôs música de balada e ouviu com cara de tédio na frente do computador. Sem sofrimento, sem dor, sem amor. Vez ou outra ele cuspia palitos de dente em um dos balões coloridos que pairavam acima de sua cabeça. Eles estouravam, mas isso não trazia alegria.
Culpa? Medo? Nada... balão balão balão...
A cor escorria das paredes e ele permanecia ali, com o queixo apoiado no cotovelo diante da tela do computador, era a única coisa que tinha luz. Balão balão balão... último balão...
Evaporou
A carne se contorcia em seu estômago, mas ele não vislumbrava momento em que pudesse vomitá-la.
Ou vomitar-se.
Ele mesmo causou-se mais enjoo que a carne mal comida.
A luz acabou
A carne não voltou
Não voltaria

Até a própria carne processar a outra, ele seria uma ameba com cérebro, tatuado na rotina de não fazer absolutamente nada até que desistisse de não fazer absolutamente nada.

Contaminação

Eu amo e desamo
fácil
mas não é leviano
é intenso
é profundo
é um apego desapegado que
quando vem
me leva embora
e põe meu cérebro pra correr
como um rato de laboratório
atrás do coração
até que seja satisfatório
mas
quando vai
vai tarde que já me consumiu demais!
Me excito com a nova possibilidade
e agradeço o que passou
identifico o que ficou
e dou passagem pra que
talvez
venha um novo amor

Manifesto lírico-poético da alma inquieta quase perturbada e totalmente apaixonada pela vinha da vida

O fantasma da tua ausência começou a dar sinais de que está se cansando
Uma luz o chama para o alto
para uma revisão de acontecimentos
que pode
de uma vez
talvez
levá-lo à extinção
Não vibro
não vibro por nada
ou não quero vibrar
Quero deixar essa luz fazer o seu trabalho
brilhar à sua maneira
para que esse fantasma
vire matéria etérica inofensiva-dor-temporária
ou Presença
Sua presença
em mim
Oh God!
Estou a ponto de dar um salto na vida
à partir das próprias escolhas
e sua
sua decisão!
Tem que ser sua!
E também estou a ponto de não ter/ser nada
do que eu esperava
com o nosso tudo
Você pode vir
ou pode ir
...
e eu?
Pra onde eu vou se você ficar e não vir?
Como eu fico se você vir e eu ficar?
Firmar!
o pé na terra
na Terra
ou
simplesmente
e não facilmente
voar
pelo ar
pelo mar
dessa vez sem intencionar

Contrariando este poema
vou esperar
e não resolver nada
Dessa vez eu não vou resolver nada
Só ser
Só estar
enquanto esse fantasma me assombra

Mesmo que eu acenda velas
eu o pressinto
sinto
e o vivo todos os dias
Nova vida
O tempo todo
o tempo todo nova vida
vida e tempo
tudo novo
ao mesmo tempo
excitante/ assustador
sem cobertor
sem segurança
no meio da selva
só seu corpo pra me aquecer
e o fogo que arde no coração
crepitando
paixão?
Cabeça, não crie dúvidas agora
Não agora que a vida está pra mudar
Não crie
Não crie
Só crie
E viva...
Viva a nova vida
Viva o recomeço
A Verdade e a Justiça
vivas!
E eu vivo
vivendo a vida
vivo atravessando a vinha
e me embriagando com bobagens significativas sem nenhuma importância
E essa vida
sem semelhança alguma com o que passou
me vivifica
Eu peço
- fica!
Mas não hesite se não quiser ficar
eu posso suportar
como suporte esse amor/dor até agora
com drama
sem drama
e verdade
Venha
ou

Mas, saiba, você já ficou
você já está
e me deixou

assim!
Embriagado
de tanta lucidez que até assusta
pois,
dessa vez não é um barco de cachaça que me leva
é um ano de ayahuasca
que me desperta a cada dia
e me põe espantado comigo mesmo
vomitado ou não
eu te tenho no coração
na inspiração
e na aspiração a ser
o melhor pra você
o melhor pra mim
no fim
só estou em busca do melhor
e para isso te apresento o meu pior
para que ele sirva para algo
que eu não posso explicar
Meu coração ta na cabeça
E a mente no peito
e
desse jeito
eu me apresento
Bobo, escroto, romântico e atrapalhado
não vou rimar com apaixonado
(já rimando!)
vou rimar com impressionado
que é assim que me sinto a cada dia do teu lado
Sendo e estando
meu e seu

Viva a arte!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Momento

Pinto aqui com as palavras
a beleza do teu corpo estendido na minha cama
parado o tempo




sem brisa
sem movimento
tão
somente
este momento
O verde dos teus olhos cintilando
e a escultura divina e sua Presença
ali
deitada
como uma pintura grega
E eu me sentindo realizado
embevecido do teu amor
e seus líquidos
róseos
eu todo molhado
exalando este líquido
te olhando como um rei
como um artista diante da sua melhor obra
me sentindo poeta
romântico
e você,
ensaboado já
enquanto eu me derreto neste papel
Tentando por pra fora o que ta dentro
porque não é suficiente
este meu humilde recipiente
está suportando mais do que eu achava que podia
Talvez por isso que eu seja incapaz de pintar
Pois, se pudesse, certamente
eu te faria
e aí não haveria horas,
não haveria dias
eu seria só seu
pertencente a este quadro
como ainda estou neste momento...

sexta-feira, 14 de março de 2014

Veneno

Amo mais do que achava que suportaria
E amo com tanto amor
que quando me encho de você
transbordo em cada lembrança
E esse líquido escorre do meu róseo
Coração
e eu o bebo
como Shiva bebeu do veneno
e salvou seu mundo
Eu me enveneno
e me crio a vida
Surpreso por suas armadilhas
você me pegou
e eu te peguei,
Vida
Hoje,
contigo,
até me comparo a Shiva
grato por me transformar num deus,
meu anjo portador da luz
meu demônio divino
despertador das minhas fogueiras
atiçador das chamas
meu amor
Amor...

terça-feira, 11 de março de 2014

Lembrete

Manter a vibração elevada, mas
aceitar a própria humanidade
Crer no melhor e na prosperidade
e
sobretudo
ter leveza e fluidez
Se enrijecer a coluna avisa
Dançar com as estrelas
e se libertar de qualquer coisa
que impeça a conexão consigo
Nunca se esquecer disso!
E se esquecer, se perdoe
Mas lembre-se de se reconectar
algo,
certamente,
vem pra avisar
HUNAB KU