Duas toalhas penduradas
denunciam
o seco que leva o suor
que seca água que leva o suor
da madrugada quente
que escorre a noite
quente
de corpos quentes
que de poesia
cheiram
impregnam
as toalhas molhadas
não se agitam
na ausência de vento
de verão pleno
de peito aberto
de suor de corpo
de sexo
pendem
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Amanhecer
Ontem eu dormi com os demônios
e acordei com os anjos
Transformação alquímica
processada em algum túnel
Luz solar projetada sobre o lodo
nasceu com o nascer
do Sol
iluminou todos os quartos
todos os cantos
e a casa quase caiu, tamanha a intensidade da Luz
Os alicerces tremeram
mas o que se movimentava de verdade eram os bichos
há muito escondidos
corriam pra se libertar pra me libertar
E depois o canto ressoou como as divinas trombetas dos quatro cantos
anunciando o que já estava
mas ninguém podia ver
Então fui dormir com os anjos
e acordei comigo mesmo.
e acordei com os anjos
Transformação alquímica
processada em algum túnel
Luz solar projetada sobre o lodo
nasceu com o nascer
do Sol
iluminou todos os quartos
todos os cantos
e a casa quase caiu, tamanha a intensidade da Luz
Os alicerces tremeram
mas o que se movimentava de verdade eram os bichos
há muito escondidos
corriam pra se libertar pra me libertar
E depois o canto ressoou como as divinas trombetas dos quatro cantos
anunciando o que já estava
mas ninguém podia ver
Então fui dormir com os anjos
e acordei comigo mesmo.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
mesmo que
amo
preciso
e me dou porque não me caibo
me doo
para outro e
me corpo com olhos e cheiros
me deságuo em uma cama
pra me eliminar de mim mesmo e me conectar com o outro
e aí a existência se manifesta plenificada
mesmo que não seja
ela se torna plena e infinita em seus minutos
mesmo que passe
mesmo que finde
ali eu mergulhei em outras águas
e me aprofundo em mim mesmo
que passe
valeu o mergulho
preciso
e me dou porque não me caibo
me doo
para outro e
me corpo com olhos e cheiros
me deságuo em uma cama
pra me eliminar de mim mesmo e me conectar com o outro
e aí a existência se manifesta plenificada
mesmo que não seja
ela se torna plena e infinita em seus minutos
mesmo que passe
mesmo que finde
ali eu mergulhei em outras águas
e me aprofundo em mim mesmo
que passe
valeu o mergulho
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Por que não?
Não crio coisas de um coração encarquilhado
Crio casas e me despedaço
Fervo e balanço
Me sacudo em desespero
Sou ego e incrível
Sofro e me humilho
Não falo de mim
Falo da humanidade
Da real idade
Da busca pela identidade
Falo da natureza e da beleza
E do que não ta errado
Hoje eu corro do passado
E avante pro futuro
Vivo o presente
Sou bombardeado
Meu coração vive aos saltos
E eu labuto pra escutá-lo
Sou devoto passado da mente
Pois ela me desmente
Me faz de louco
De otário
E me deixa acabado
Tento ser espírito
Puro, limpo
E despenco do céu como uma besta
Chifruda, demoníaca
Vivo tudo
E vivo nada
Coragem não me falta
E medo também não
Crio porque preciso
Vivo... por quê não?!
Manifesto ao Manifesto
Meu mundo é a arte
Minha pira é o abstrato
no concreto
abstraio
pra viver
pra ferozmente
sobreviver
Levo a quem quiser
esperando companhia
me acompanho
e explodo ideias para que elas não me explodam
A necessidade é a ruína da construção
e a destruição
é
necessária
Musique-se
e eu te cantarei
porque sou livre pra ser incapaz
e incapaz de não ser livre
Quando a realidade dormir
eu vou acordar
para nunca mais dormir
para não deixar de acordar.
Manifesto.
Minha pira é o abstrato
no concreto
abstraio
pra viver
pra ferozmente
sobreviver
Levo a quem quiser
esperando companhia
me acompanho
e explodo ideias para que elas não me explodam
A necessidade é a ruína da construção
e a destruição
é
necessária
Musique-se
e eu te cantarei
porque sou livre pra ser incapaz
e incapaz de não ser livre
Quando a realidade dormir
eu vou acordar
para nunca mais dormir
para não deixar de acordar.
Manifesto.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Ceifo
Chegou na frente do mar, estufou o peito, invadindo-se do salgado cheiro de liberdade que a praia inspirava, fechou os olhos e...
TUM!
Sua cabeça foi atingida por um coco, fruto da brincadeira das garotas que jogavam frescobol.
- Desculpa, tio!
Caminhou, tirou a bermuda com olhos de rabeira e seguiu em direção ao mar.
Mas agora a distância entre seus pés e onde a água começava (ou terminava?) parecia infinita.
Infinita
Contou os inesmagáveis grãos de areia, os fugidios caranguejos, as incontáveis bactérias, calculou a velocidade da brisa que arrepiava as sobrancelhas e os cabelos de perto das orelhas e o mar... o mar... No caminho da água viu estrelas surgirem, viu a lua subir e os navios ancorarem e acenderem suas luzes como uma cidade grande.
Levemente fora de si passou a passar largamente, em seguida a correr, a correr e a respirar pra fora. Ali estava o mar, a centímetros de distância... a centímetros...
BEEEEM!
Parou de supetão, guardando a parada cardíaca no bolso, quando o enorme trator de lixo cortou sua direção com suas luzes invasoras e barulhos uranianos.
Meio aturdido, contornou o susto e seguiu.
Então... pisou...
A água sentiu que se esvaia. Se esvaía num redemoinho impraticável.
Em poucos minutos o ralo sugou a água, sugou o sal, sugou o pacífico. Não deu nem tempo de raciocinar o que estava acontecendo, pois acontecia tão acontecidamente que não havia raciocínio pra raciocinar.
A ele restou escorregar a mão dramaticamente pelo azulejo branco e desligar o chuveiro, para satisfazer as necessidades do mundo externo.
TUM!
Sua cabeça foi atingida por um coco, fruto da brincadeira das garotas que jogavam frescobol.
- Desculpa, tio!
Caminhou, tirou a bermuda com olhos de rabeira e seguiu em direção ao mar.
Mas agora a distância entre seus pés e onde a água começava (ou terminava?) parecia infinita.
Infinita
Contou os inesmagáveis grãos de areia, os fugidios caranguejos, as incontáveis bactérias, calculou a velocidade da brisa que arrepiava as sobrancelhas e os cabelos de perto das orelhas e o mar... o mar... No caminho da água viu estrelas surgirem, viu a lua subir e os navios ancorarem e acenderem suas luzes como uma cidade grande.
Levemente fora de si passou a passar largamente, em seguida a correr, a correr e a respirar pra fora. Ali estava o mar, a centímetros de distância... a centímetros...
BEEEEM!
Parou de supetão, guardando a parada cardíaca no bolso, quando o enorme trator de lixo cortou sua direção com suas luzes invasoras e barulhos uranianos.
Meio aturdido, contornou o susto e seguiu.
Então... pisou...
A água sentiu que se esvaia. Se esvaía num redemoinho impraticável.
Em poucos minutos o ralo sugou a água, sugou o sal, sugou o pacífico. Não deu nem tempo de raciocinar o que estava acontecendo, pois acontecia tão acontecidamente que não havia raciocínio pra raciocinar.
A ele restou escorregar a mão dramaticamente pelo azulejo branco e desligar o chuveiro, para satisfazer as necessidades do mundo externo.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
constelação
Um dia a loucura tomou conta
dele
mas supôs ser apenas cansaço
de modo que a ignorou e se
deitou como depois de um dia longo
desses que se pensa que não
vai acabar, mas na verdade sempre acaba
como os que terminam a
contragosto quando está bom demais
e dormiu
ou pensou que dormiu
e sonhou
ou pensou que sonhou
e o que desabrochou foi a
forma mais delicada de toda a brutalidade que refreava em si para que os outros
não o tomassem por
louco
e então ele despertou
na madrugada
sedento de água
ou pensou que fosse de água
e a caminho da geladeira todo
o universo se expulsou de si
como um contra-imã
e
pela sua boca
saíram
as
estrelas
os planetas
os buracos negros,
redemoinhos diversos de diversas cores
luas e satélites
e anéis
e asteróides
e galáxias diversas que giravam em torno de si e da geladeira
constituindo a mais magnífica
dança que ele já vira
rodopiando sentidos, sons,
seres
numa música transcendental
nunca ouvida antes por algum mortal
e ele
maravilhado
abriu a geladeira para
apanhar a jarra de água
e matou a sua sede como quem
afoga um peixe
e não havia nada mais
maravilhoso naquele momento.
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